Patrícia Biscaro, aos 40 anos, percorreu um caminho repleto de desafios de saúde que se entrelaçam de maneira surpreendente e angustiante. Após superar um câncer de mama agressivo, ela se viu diante de uma nova e inesperada descoberta: uma má-formação cardíaca rara que, embora presente desde o nascimento, nunca havia sido detectada em exames anteriores. Essa revelação trouxe à tona memórias dolorosas da perda súbita de sua mãe, que, aos 42 anos, faleceu sem um diagnóstico claro. A possibilidade de que sua morte tenha sido causada por uma arritmia vinculada à mesma condição cardíaca de Patrícia é uma hipótese que, embora intrigante, permanece sem confirmação.
A jornada de Patrícia começou em 2018, quando, após um ultrassom de mama que não indicou anormalidades, um nódulo foi descoberto. A rápida evolução do tumor levou a um diagnóstico de câncer de mama triplo negativo. Este subtipo, notoriamente agressivo e com alta taxa de recidiva, exigiu intervenções cirúrgicas e um tratamento que incluiu quimioterapia e radioterapia. A empresária enfrentou o tratamento oncológico com determinação, e, oito anos depois, é considerada em remissão completa, embora suas preocupações de saúde não tenham terminado.
Após o tratamento, Patrícia começou a experimentar sintomas que não se alinhavam com o que seria esperado após a quimioterapia. Dores nas articulações e manchas roxas pelo corpo a levaram a uma série de consultas médicas até que, finalmente, uma ressonância magnética revelou a má-formação cardíaca que havia permanecido oculta por anos. O diagnóstico de miocárdio não compactado não só explicou seus novos sintomas, mas também levantou questões sobre a saúde cardiovascular de sua família, repleta de mortes súbitas não esclarecidas.
Com a introdução de um desfibrilador em seu corpo, que a monitora e protege de arritmias potencialmente fatais, Patrícia se viu em uma nova fase de sua vida, marcada por uma rotina de cuidados com a saúde e uma adaptação às limitações impostas pela disautonomia, uma condição que impacta seu sistema nervoso autônomo. Apesar disso, ela transformou sua experiência em um negócio: o Oncoplanner, uma agenda projetada para ajudar pacientes em tratamento oncológico a organizarem suas consultas e exames. Esse empreendimento não apenas representa um triunfo pessoal, mas também uma contribuição valiosa para a comunidade de pacientes.
Recentemente, Patrícia enfrentou mais um desafio com o diagnóstico de câncer de tireoide, um nódulo que acompanhava desde 2019. Embora os testes genéticos não tenham revelado predisposição hereditária, a conexão entre suas condições de saúde, especialmente a síndrome de Ehlers-Danlos, levanta questões ainda não respondidas. A ciência pode não ter respostas definitivas, mas a resiliência de Patrícia e sua busca por conhecimento e compreensão refletem uma luta contínua pela saúde e pela vida.
Crédito da imagem: A empresária Patrícia Biscaro


