sábado, 31/10/2026

Transplante de órgãos de jovem goleiro beneficia seis pessoas em meio à espera de 49,7 mil brasileiros por doação

Atualmente, 49.695 brasileiros estão na expectativa de um telefonema que pode transformar suas vidas: a notificação de que um órgão compatível está disponível para transplante. Apesar de o Brasil ocupar a quarta posição no…

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Atualmente, 49.695 brasileiros estão na expectativa de um telefonema que pode transformar suas vidas: a notificação de que um órgão compatível está disponível para transplante. Apesar de o Brasil ocupar a quarta posição no mundo em número absoluto de transplantes, a fila de espera continua a crescer, evidenciando um desafio persistente na doação de órgãos.

Recentemente, a decisão da família do jovem goleiro Miguel Meneses, de 14 anos, que faleceu em um acidente de trânsito, trouxe um raio de esperança. Ao optar pela doação de órgãos, a família contribuiu para que pelo menos seis vidas possam ser salvas, com a captação de coração, fígado, rins e córneas.

Desde o início deste ano, foram realizados 7,4 mil transplantes, o que representa apenas 15% dos pacientes que aguardam uma doação. A fila de espera cresce a cada dia, com a maior demanda concentrada em rins, onde 46.132 pessoas aguardam. O fígado e o coração vêm em seguida, com 2.377 e 516 pessoas à espera, respectivamente.

A predominância da necessidade de transplantes de rim pode ser atribuída a doenças comuns no Brasil, como diabetes e hipertensão, que afetam a função renal. Enquanto aguardam por um novo rim, pacientes podem recorrer à hemodiálise, uma alternativa que, embora vital, não substitui a necessidade do transplante. Essa dinâmica permite que a espera por um rim se estenda por anos, ao contrário de órgãos como o coração ou pulmão, onde a urgência é maior.

A distribuição da espera por estado revela a gravidade da situação: São Paulo lidera com 23.700 pessoas na fila, seguido por Minas Gerais e Bahia. A gestão dessa espera é feita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que considera tanto o tempo de espera quanto a gravidade do estado de saúde dos pacientes, além da compatibilidade entre doador e receptor.

A lista de espera também inclui uma faixa etária diversificada, com 58% dos pacientes sendo homens e 42% mulheres. Os indivíduos entre 50 e 64 anos são os mais representados, mas há também crianças nessa lista, destacando a urgência da situação em todas as idades.

Sobre a doação, é importante esclarecer que, para a doação de órgãos sólidos, é necessário que o doador esteja em morte encefálica. A doação de córneas, por sua vez, pode ser realizada por qualquer falecido. Além disso, pessoas com doenças como diabetes e hipertensão podem ser doadoras, desde que seus órgãos sejam avaliados adequadamente antes do transplante.

Os prazos para o transplante após a retirada dos órgãos variam, sendo de 6 a 8 horas para coração e pulmão, e até 24 horas para rins. Para que a doação ocorra, os indivíduos podem manifestar sua intenção de ser doadores através da carteira de identidade ou da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos, mas a autorização da família é sempre necessária.

Crédito da imagem: Família autoriza doação de órgãos de goleiro do sub-15