O choque anafilático, uma reação alérgica extrema, pode ser fatal e foi essa a causa da morte da ex-apresentadora Janaína Barbosa, de 48 anos, em São Paulo, após a troca de um medicamento. O quadro clínico, que se manifesta com coceira, manchas vermelhas e inchaço, pode rapidamente evoluir para uma situação crítica, em que a pressão arterial despenca e a respiração fica comprometida.
O corpo humano possui células de defesa que atuam como sensores, reconhecendo substâncias potencialmente ameaçadoras. Quando uma dessas células identifica um agente, mesmo que inofensivo para a maioria, uma série de reações ocorre, liberando histamina e outros compostos inflamatórios. Na anafilaxia, essa resposta é generalizada, afetando não apenas a pele, mas também os pulmões, onde provoca dificuldade respiratória, e os vasos sanguíneos, que se dilatam e tornam-se permeáveis, levando à queda da pressão arterial e ao colapso circulatório.
Os sintomas da anafilaxia podem surgir de forma súbita, em questão de segundos ou minutos, e frequentemente incluem manifestações em múltiplos órgãos. A pele é a mais afetada, mas também podem ocorrer falta de ar, dor abdominal, vômitos e até desmaios. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que dois ou mais sintomas logo após a exposição a um agente suspeito devem ser tratados como uma emergência médica.
Entre as principais causas de anafilaxia, medicamentos são frequentemente citados, especialmente anti-inflamatórios e antibióticos. Um estudo revelou que 25,3% das reações alérgicas no Brasil são atribuídas a medicamentos, o que destaca a importância de um diagnóstico precoce e de um tratamento eficaz. O sistema imunológico pode já ter sido sensibilizado ou a substância pode induzir a reação diretamente, intensificada por fatores como estresse ou uso de álcool.
A adrenalina é o tratamento de primeira linha em casos de anafilaxia, sendo administrada rapidamente no músculo da coxa. Apesar de sua eficácia, a utilização ainda é insuficiente, conforme indicam as diretrizes da Organização Mundial de Alergia. Outros medicamentos, como anti-histamínicos e corticoides, podem ser usados como complemento, mas não substituem a adrenalina. É vital que o serviço de emergência seja acionado imediatamente, pois o tratamento hospitalar pode incluir oxigenoterapia e monitoramento contínuo.
Após a recuperação, é crucial que o paciente seja encaminhado a um especialista em alergias para investigar a causa da anafilaxia e avaliar o risco de futuras reações. A falta de dados precisos sobre a incidência de anafilaxia no Brasil é alarmante, e a Sociedade Brasileira de Pediatria destaca a necessidade de critérios diagnósticos mais rigorosos para evitar que casos fiquem sem notificação e tratamento adequado.
A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia defende a implementação de um registro nacional obrigatório dos casos, enfatizando que a rapidez na administração da adrenalina é crucial para aumentar as chances de sobrevivência. O reflexo dessa situação é um chamado à ação para que tanto profissionais de saúde quanto a população em geral estejam mais conscientes dos riscos e dos cuidados necessários em situações de anafilaxia.
Crédito da imagem: Janaína Barbosa



