A cada ano, cerca de 50 mil vidas são perdidas na Alemanha devido a problemas relacionados à deficiência nutricional, um dado alarmante que revela a gravidade da questão. A Sociedade Alemã de Medicina Nutricional (DGEM) destaca que muitos dos efeitos danosos dessa condição podem passar despercebidos até que se tornem irreversíveis. Matthias Pirlich, médico especialista em nutrição, explica que deficiências como a de vitamina B12 podem levar a sérios danos neurológicos, que muitas vezes só se manifestam quando já é tarde demais para uma intervenção eficaz.
O conceito de carência nutricional é amplo e abrange não apenas a falta de alimentos, mas também a insuficiência de micronutrientes essenciais, que são vitais para a saúde e o funcionamento adequado do corpo humano. Em um cenário onde a alimentação inadequada prevalece, mesmo em países desenvolvidos como a Alemanha, a situação se torna preocupante. Aproximadamente um terço da população alemã apresentava deficiência de vitamina D em 2017, e a falta de iodo, crucial para a produção hormonal da tireoide, também afeta um número significativo de pessoas.
Esse fenômeno, conhecido como “fome oculta”, é caracterizado pela ingestão de calorias suficientes, mas com uma escassez crítica de nutrientes. A alimentação desequilibrada, frequentemente resultado de condições socioeconômicas desfavoráveis, contribui para a alta prevalência dessa condição. Famílias em situação de vulnerabilidade tendem a consumir alimentos de baixa qualidade nutricional, o que agrava o problema.
Além do contexto socioeconômico, fatores como doenças crônicas e uso excessivo de medicamentos também influenciam a absorção de nutrientes, elevando o risco de carência nutricional. Dados indicam que cerca de 30% dos pacientes hospitalizados na Alemanha estão em risco, mas apenas uma fração recebe a avaliação necessária para diagnosticar deficiências nutricionais. Isso resulta em complicações adicionais e custos elevados para o sistema de saúde, colocando em pauta a urgência de estratégias eficazes de prevenção e tratamento.
As autoridades e profissionais de saúde estão se mobilizando para desenvolver um plano que melhore a identificação e o atendimento das carências nutricionais nos hospitais até 2027. Um modelo a ser seguido pode ser o da Holanda, onde todos os pacientes são submetidos a uma triagem nutricional no momento da admissão. Essa abordagem poderia ser estendida a consultórios médicos, especialmente para grupos vulneráveis, como idosos e portadores de doenças crônicas.
Por outro lado, a promoção de uma alimentação saudável deve ser uma prioridade. Iniciativas como a merenda escolar gratuita podem ser um passo importante para garantir que todas as crianças tenham acesso a uma nutrição adequada, independentemente da classe social. A diversidade alimentar e a preferência por produtos locais e sazonais são recomendações que podem garantir um melhor aporte de nutrientes essenciais.
Ainda que a adoção de hábitos alimentares saudáveis seja fundamental, o monitoramento da saúde nutricional permanece essencial. Exames regulares podem ajudar a identificar deficiências, e, quando necessário, a suplementação pode ser uma solução viável para restaurar a saúde. Portanto, a conscientização sobre a importância da nutrição deve ser uma luta coletiva, tanto em nível individual quanto social.
Crédito da imagem: Fome oculta causa 50 mil mortes por ano na Alemanha



