Uma alarmante realidade foi revelada por um estudo publicado na revista The Lancet Global Health: cerca de 240 milhões de adolescentes em todo o mundo, o que corresponde a um em cada quatro jovens, não praticam pelo menos 60 minutos de atividade física em nenhum dia da semana. Essa situação é especialmente crítica entre as meninas, que continuam a apresentar níveis de atividade física muito mais baixos em comparação com os meninos.
A pesquisa, que analisou dados de 3,2 milhões de adolescentes de 11 a 17 anos em 140 países, mostrou que, apesar das diversas iniciativas globais para promover a atividade física, os índices não apresentaram mudanças significativas nos últimos 15 anos. Em média, os jovens só conseguiram registrar 2,7 dias por semana com ao menos uma hora de exercícios de intensidade moderada a vigorosa, com apenas 13,9% atingindo essa meta nos sete dias da semana.
As disparidades entre meninos e meninas e entre países de diferentes níveis econômicos são preocupantes. No Brasil, por exemplo, os meninos relataram entre 1,1 e 1,2 dia ativo a mais por semana do que as meninas, colocando o país entre os que apresentam as maiores desigualdades nessa área. Essa diferença é ainda mais acentuada entre os adolescentes que não praticam atividades físicas em nenhum dia da semana, com a proporção de meninas nessa situação sendo 15 pontos percentuais maior do que a dos meninos.
O estudo também revelou que, à medida que os adolescentes envelhecem, os níveis de atividade física tendem a diminuir, especialmente entre as meninas. Enquanto as meninas de 11 anos registraram 2,6 dias ativos por semana, essa média caiu para 2,2 dias aos 17 anos. Para os meninos, a queda foi menos significativa.
Em um panorama global, as regiões mais ricas tendem a apresentar melhores índices de atividade física. Países como Sérvia, Canadá e Finlândia apresentam as maiores médias de dias ativos, enquanto nações em desenvolvimento, como Camboja e Libéria, registram números alarmantemente baixos, com médias de apenas 1,7 a 1,9 dia ativo por semana.
Com a meta global da OMS de reduzir em 15% a proporção de adolescentes sedentários até 2030, os dados atuais são desanimadores. Projeções indicam que, se as tendências não mudarem, essa meta permanecerá inatingível. A pesquisa enfatiza a necessidade urgente de políticas públicas mais eficazes que abordem as barreiras sociais, culturais e econômicas que limitam a prática de atividades físicas entre os adolescentes, especialmente entre as meninas.
O estudo, que se baseou em 389 levantamentos, destaca a importância de criar ambientes propícios para a atividade física nas escolas e comunidades, além de envolver os próprios adolescentes na formulação de estratégias. Para que mudanças efetivas ocorram, é essencial que sejam superadas as barreiras que dificultam o acesso a oportunidades de exercícios, garantindo que todos os jovens possam desfrutar dos benefícios da atividade física regular.
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