A história da saúde pública no Brasil é marcada pela busca de um modelo que garanta atendimento universal. Inspirado em experiências internacionais, especialmente o sistema britânico NHS, o Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado com a ambição de oferecer uma cobertura ampla e acessível. Contudo, os desafios enfrentados por ambos os sistemas revelam que a luta por eficiência e equidade na saúde é uma constante.
A médica Ana Luíza Gibertoni Cruz é um exemplo vivo dessa interconexão. Formada no Brasil e atualmente atuando no Reino Unido, ela observa as semelhanças e as dificuldades que permeiam os sistemas de saúde. No NHS, onde trabalha em um hospital de Oxford, a médica enfrenta o dilema da sobrecarga nos serviços de emergência e a necessidade de um atendimento primário mais eficaz, um problema que também ecoa no Brasil.
Atualmente, o NHS atravessa uma de suas maiores crises, com um plano de reforma ambicioso lançado para 2025, buscando a descentralização do atendimento e um foco maior na prevenção de doenças. Ana Luíza aponta que essa crise é fruto de investimentos insuficientes ao longo dos anos, aumento da demanda e uma população que, apesar de viver mais, enfrenta um aumento nas doenças crônicas.
As dificuldades de acesso e as longas esperas por atendimento são questões que afligem tanto o NHS quanto o SUS. Apesar de ambos os sistemas buscarem atender a população de forma equitativa, a realidade revela disparidades regionais e uma gestão que ainda precisa ser aprimorada. No Brasil, a desigualdade é ampliada pela vasta extensão territorial e pela falta de recursos adequados.
Embora o SUS tenha se inspirado na abordagem britânica, como a criação das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), especialistas indicam que ainda existe um longo caminho a percorrer para se alcançar um modelo de saúde verdadeiramente eficiente e equitativo. A experiência britânica oferece lições valiosas, mas também serve como um alerta sobre a importância de um financiamento adequado e de uma gestão eficiente, fatores essenciais para qualquer reforma bem-sucedida.
À medida que o Brasil se prepara para lidar com o envelhecimento rápido de sua população, que já apresenta um aumento significativo no número de idosos, a integração entre saúde e assistência social se torna ainda mais crucial. O exemplo do NHS na criação de redes comunitárias de cuidado pode ser uma estratégia a ser considerada para o SUS, que ainda enfrenta desafios na distribuição equitativa de profissionais de saúde e na gestão das filas de espera.
Em suma, a experiência do Reino Unido não é apenas um modelo a ser seguido, mas um reflexo dos desafios que o Brasil deve enfrentar à medida que busca consolidar um sistema de saúde que funcione para todos. A lição mais importante pode ser a necessidade de uma abordagem que priorize a saúde preventiva e a atenção comunitária, alicerçada em um financiamento robusto e em uma gestão descentralizada e eficaz.


