A partir desta quinta-feira (15), o Brasil dá um passo significativo no diagnóstico da doença de Alzheimer com a introdução de um novo exame de sangue, disponível inicialmente no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS). Com um custo estimado em R$ 3 mil, o teste que mede a proteína p-tau217 promete ser uma alternativa menos invasiva e mais acessível do que os tradicionais métodos de punção lombar e exames de imagem, que frequentemente são utilizados para confirmar o diagnóstico da doença.
O exame é direcionado a pacientes que já exibem sintomas e possuem uma suspeita clínica de Alzheimer. É importante ressaltar que um resultado positivo não é, por si só, indicativo de demência; a confirmação do diagnóstico ainda requer a análise do quadro clínico do paciente. O teste, por enquanto, não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), e não há previsão para sua inclusão. O Ministério da Saúde ainda não recebeu solicitações formais para avaliação do exame pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), um passo essencial para a incorporação de novas tecnologias na rede pública.
A proteína p-tau217, cuja presença no sangue reflete o acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro, serve como um indicador das alterações biológicas associadas ao Alzheimer. A precisão do exame é promissora, com estudos mostrando uma taxa de acerto que varia de 89% a 94% em comparação com métodos mais tradicionais, como a análise do líquor. No entanto, ainda há uma margem de resultados inconclusivos, que podem levar o médico a solicitar outros exames complementares.
O exame é destinado a indivíduos com mais de 50 anos e deve ser solicitado por um médico que já tenha confirmado algum grau de declínio cognitivo. Para aqueles abaixo dessa faixa etária, o significado dos resultados ainda não foi estabelecido, visto que o teste não foi testado nesse grupo etário. Especialistas alertam que um simples esquecimento não justifica a realização do exame, reforçando a necessidade de uma avaliação clínica abrangente.
Embora a introdução do exame de sangue represente um avanço na detecção precoce do Alzheimer, a sua implementação no SUS ainda depende de estudos adicionais que comprovem sua eficácia e viabilidade econômica. A Anvisa já regularizou a nova tecnologia, mas o acesso em larga escala ainda é um desafio a ser enfrentado.
Os especialistas acreditam que, ao proporcionar um diagnóstico mais rápido e seguro, o exame poderá abrir portas para tratamentos disponíveis que, quando iniciados precocemente, podem desacelerar a progressão da doença. Atualmente, existem medicamentos que podem reduzir a velocidade de avanço dos sintomas em até 30%, mas a eficácia é maior quando a doença é detectada em seus estágios iniciais.
Para aqueles que notam esquecimentos frequentes, a recomendação é buscar avaliação médica, já que o diagnóstico precoce pode resultar em uma melhor qualidade de vida e mais opções de tratamento. Enquanto isso, o SUS continua a depender de métodos tradicionais de diagnóstico, e a inclusão do novo exame dependerá de análises rigorosas de custo e eficácia.

