sábado, 17/10/2026

A questão da esquizofrenia: hereditariedade e fatores ambientais em foco.

Consuelo Walss-Bass, bioquímica e geneticista, se deparou com uma questão angustiante durante sua jornada acadêmica sobre esquizofrenia: “Por que minha irmã tem essa condição e eu não?” A indagação surgiu em um contexto familiar…

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Consuelo Walss-Bass, bioquímica e geneticista, se deparou com uma questão angustiante durante sua jornada acadêmica sobre esquizofrenia: “Por que minha irmã tem essa condição e eu não?” A indagação surgiu em um contexto familiar marcado pelo sofrimento, já que tanto sua mãe quanto sua irmã lidavam com os desafios dessa doença. O pai, por sua vez, relutava em aceitar o diagnóstico, associando a esquizofrenia a uma perda irreparável. Essa dinâmica familiar é o pano de fundo do livro “Por que a Minha Irmã?”, que será lançado em 2026 e que mescla experiências pessoais com a ciência que envolve o transtorno.

Walss-Bass, que ocupa uma posição de destaque na Universidade do Texas, dedica sua carreira à pesquisa dos transtornos psiquiátricos e reflete sobre a complexidade da esquizofrenia, que, segundo ela, é resultado de uma “tempestade perfeita” entre genética e ambiente. Ao estudar a condição, ela se pergunta: como duas irmãs, criadas no mesmo lar e com a mesma herança genética, podem ter destinos tão diferentes? A resposta, ela sugere, pode estar nos traumas vividos, especialmente durante a gestação e os primeiros anos de vida.

Durante uma conversa reveladora com a BBC News Mundo, Walss-Bass compartilhou memórias difíceis de sua infância, como o momento em que sua mãe foi internada em um hospital neurológico, um evento que a marcou profundamente. A falta da mãe na celebração de seu 15º aniversário foi um dos pontos altos de sua dor. Consuelo destaca a importância de reconhecer os primeiros sintomas da esquizofrenia, que muitas vezes se confundem com as turbulências típicas da adolescência, tornando a identificação precoce um desafio.

A autora expressa sua compreensão de que a esquizofrenia não é uma questão de culpa ou responsabilidade, mas sim uma doença complexa que exige apoio e compreensão. Ela observa que, apesar de décadas de pesquisa, os medicamentos disponíveis ainda são limitados, e o estigma em torno da doença persiste. “Entender que os pacientes não têm controle sobre seus comportamentos é fundamental para reduzir a estigmatização”, afirma.

Atualmente, Consuelo vive com sua irmã Paty, que, após anos de sofrimento e tratamento, encontrou um novo lar em sua casa. O relacionamento entre elas se transformou ao longo dos anos, com Paty agora desfrutando de atividades que trazem alegria e rotina. Walss-Bass acredita que a rede de apoio familiar e o acesso aos cuidados adequados são essenciais para a recuperação e a estabilidade em casos de esquizofrenia.

O livro de Consuelo é mais do que uma narrativa familiar; é um chamado à empatia e à compreensão sobre uma condição que afeta milhões. Com otimismo, ela espera que a ciência avance o suficiente para não apenas entender a esquizofrenia, mas também desenvolver tratamentos que vão além dos sintomas, atingindo suas causas. “A pergunta por que minha irmã permanece sem resposta, mas a investigação continua”, conclui, refletindo a esperança de que o conhecimento possa iluminar o caminho para novas descobertas e, quem sabe, uma cura.