terça-feira, 20/10/2026

Anvisa autoriza nova terapia para câncer de pulmão avançado, colocando Brasil na vanguarda do tratamento

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu um passo importante no combate ao câncer de pulmão ao aprovar, na última segunda-feira (19), o telisotuzumab vedotina, conhecido comercialmente como Emrelis. Este medicamento é voltado…

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu um passo importante no combate ao câncer de pulmão ao aprovar, na última segunda-feira (19), o telisotuzumab vedotina, conhecido comercialmente como Emrelis. Este medicamento é voltado para adultos diagnosticados com câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) avançado, consolidando o Brasil como o segundo país a aprovar essa terapia, após os Estados Unidos, que concederam uma aprovação acelerada pela FDA.

Desenvolvido pela biofarmacêutica americana AbbVie, o telisotuzumab vedotina é especificamente indicado para pacientes com CPNPC do tipo não escamoso, que já passaram por tratamentos anteriores e apresentam alta superexpressão da proteína c-Met. A expectativa da fabricante é que o medicamento chegue ao mercado brasileiro no primeiro semestre de 2027, uma promessa que traz esperança em um cenário onde o câncer de pulmão é a principal causa de morte relacionada a essa doença globalmente, com previsões alarmantes de novos casos e mortes para os próximos anos.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil registrou mais de 31 mil óbitos devido a essa enfermidade em 2023, com projeções de mais de 35 mil novos casos anuais entre 2026 e 2028. A eficácia do telisotuzumab vedotina foi respaldada pelo estudo clínico de fase 2 conhecido como LUMINOSITY, que mostrou que 34,6% dos pacientes apresentaram uma redução mensurável do tumor, embora esse número não signifique cura.

Entre os efeitos colaterais associados ao uso do medicamento, destacam-se neuropatia periférica, fadiga, diminuição do apetite e edema periférico. A AbbVie explica que este medicamento é um anticorpo-droga conjugado que atua especificamente na proteína c-Met, um receptor que, quando superexpresso, pode indicar um prognóstico desfavorável para os pacientes.

Após a aprovação da Anvisa, o telisotuzumab vedotina passará por uma nova fase de avaliação de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), um processo que deve ser concluído até meados de 2027, antes de sua comercialização. Contudo, vale ressaltar que a inclusão automática do medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS) não é garantida, uma vez que isso requer uma avaliação específica pela Conitec, evidenciando a complexidade e os desafios na disponibilização de novos tratamentos à população.