quinta-feira, 22/10/2026

Estudo aponta relação entre insônia e maior risco de demência, AVC e doenças cardíacas, segundo especialistas.

A insônia, frequentemente subestimada, pode ter efeitos devastadores na vida cotidiana e na saúde a longo prazo. Dormir mal uma única noite pode resultar em irritação e sonolência, mas a repetição desse padrão transforma…

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A insônia, frequentemente subestimada, pode ter efeitos devastadores na vida cotidiana e na saúde a longo prazo. Dormir mal uma única noite pode resultar em irritação e sonolência, mas a repetição desse padrão transforma a insônia em um problema sério. Especialistas alertam que a insônia crônica está ligada a riscos elevados de demência, acidente vascular cerebral (AVC) e doenças cardíacas.

De acordo com dados recentes, cerca de 30% dos adultos nas capitais brasileiras enfrentam dificuldades para dormir, apresentando sintomas como a dificuldade em pegar no sono, acordar várias vezes durante a noite ou levantar-se antes do desejado sem conseguir retornar ao sono. A prevalência desse distúrbio é alarmante e levanta questões sobre a saúde pública.

Pesquisas têm revelado que o sono é vital para o funcionamento adequado do cérebro. Durante o sono profundo, um processo de limpeza cerebral ocorre, onde o líquor ajuda a remover resíduos acumulados. Quando o sono é frequentemente interrompido, essa limpeza é comprometida, resultando em acúmulo de proteínas associadas a doenças neurodegenerativas, como a beta-amiloide e a tau, que estão relacionadas ao Alzheimer.

O neurologista Diego Carvalho enfatiza que a insônia não é um problema isolado, mas um processo contínuo que, ao longo do tempo, favorece o acúmulo dessas proteínas nocivas. Estudos apontam que pessoas com mais de 60 anos que sofrem de insônia crônica têm até 40% mais chances de desenvolver demência em um período de cinco anos.

Além das implicações neurológicas, a insônia também afeta o sistema cardiovascular. Carvalho ressalta que a condição está associada a um aumento do risco de AVC e problemas cardíacos. Os efeitos imediatos são igualmente preocupantes; relatos de indivíduos como Patrick, de 35 anos, mostram como a falta de sono pode comprometer a atenção no trabalho, levando a situações de risco, como quase deixar um paciente cair. Vitória, uma artista plástica de 30 anos, compartilha que a privação de sono a deixa sem energia, refletindo o impacto da insônia em sua vida criativa.

Embora o problema seja sério, muitas pessoas não buscam ajuda. O psiquiatra Alexandre Azevedo, especialista em sono, recomenda investigar a insônia quando os sintomas ocorrem três ou mais vezes por semana durante três meses, especialmente se acompanhados de fadiga ou dificuldades nas atividades diárias. Ele destaca que o tratamento nem sempre envolve medicamentos, e que mudanças comportamentais — como reduzir o uso de telas antes de dormir e evitar cafeína à noite — são fundamentais.

A mensagem que os especialistas desejam transmitir é clara: a insônia não deve ser vista como um mero incômodo passageiro. Quando persistente, ela pode afetar gravemente a saúde mental e física, além da qualidade de vida de quem vive com noites mal dormidas. Ignorar esses sinais pode levar a consequências duradouras e perigosas.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — mamazmazur (pixabay)