quarta-feira, 21/10/2026

Clitóris passa a contar com cirurgia para preservação do prazer sexual após tratamento de câncer, quase 40 anos após avanço similar para o pênis.

Um avanço significativo na medicina ginecológica foi revelado por cirurgiões na Holanda, que desenvolveram uma técnica inovadora para reconstrução do clitóris em mulheres que enfrentam o câncer de vulva. Essa iniciativa, nascida no Radboudumc,…

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Um avanço significativo na medicina ginecológica foi revelado por cirurgiões na Holanda, que desenvolveram uma técnica inovadora para reconstrução do clitóris em mulheres que enfrentam o câncer de vulva. Essa iniciativa, nascida no Radboudumc, é um marco histórico, pois é a primeira a focar na preservação da função sexual do clitóris após a remoção de tumores, um aspecto frequentemente negligenciado em procedimentos anteriores.

De acordo com dados iniciais, 90% das 23 pacientes submetidas ao novo procedimento recuperaram a capacidade de alcançar o orgasmo entre três e seis meses após a cirurgia. Essa taxa de sucesso é especialmente significativa, considerando que, tradicionalmente, intervenções cirúrgicas na área muitas vezes resultavam na perda da sensibilidade e da qualidade de vida das pacientes.

A oncologista ginecológica Mieke ten Eikelder, uma das responsáveis pela técnica, destacou que o clitóris, órgão essencial para o prazer sexual feminino, frequentemente era desconsiderado em cirurgias anteriores. Os tumores que afetavam essa região levavam os médicos a remover partes do clitóris, resultando em um impacto devastador na vida sexual das mulheres. A nova abordagem, no entanto, preserva nervos intactos, reposicionando-os para criar uma nova ponta do clitóris, o que ajuda a manter a sensibilidade.

O câncer de vulva, que afeta os órgãos genitais externos femininos, é diagnosticado anualmente em cerca de 450 mulheres na Holanda, com um quarto dos casos envolvendo o clitóris ou áreas adjacentes, beneficiando-se diretamente dessa nova técnica. Atualmente, o procedimento é restrito ao país e está sendo aplicado dentro de um programa de pesquisa, com a esperança de que seus resultados possam ser extrapolados para mulheres que sofreram mutilação genital.

Além do Radboudumc, outros oito hospitais holandeses estão envolvidos na formação de oncologistas e cirurgiões para a implementação da técnica. Contudo, os pesquisadores enfatizam que os resultados ainda são preliminares e que, com o apoio da Sociedade Holandesa de Combate ao Câncer, seguirão acompanhando as pacientes para avaliar a eficácia da técnica em melhorar a função sexual e a qualidade de vida.

A expectativa é que, em um futuro próximo, essa abordagem inovadora possa ser adotada em outros países, proporcionando a mulheres em todo o mundo a oportunidade de preservar sua sexualidade e bem-estar após o tratamento do câncer.