A insônia, um mal que afeta milhões de brasileiros, vai muito além de uma simples noite mal dormida. A sensação de cansaço crônico e a dificuldade para conciliar o sono têm se tornado parte da rotina para muitos, impactando não apenas o bem-estar, mas também a saúde como um todo. Especialistas alertam que a insônia deve ser encarada como uma condição séria, muitas vezes exigindo tratamento profissional.
Vitória, uma artista plástica de 30 anos, descreve sua relação conturbada com o sono. Desde a infância, ela enfrenta dificuldades que se traduzem em um sono leve e despertares frequentes. “Eu me sinto fraca, como se tivesse drenado minha energia”, compartilha, evidenciando como a privação de sono afeta seu humor e disposição. Para Patrick, de 35 anos, a situação é semelhante. Ele passa as noites angustiado, contando as horas para não perder o horário de acordar. “O cansaço é tanto que, em um momento, meu olho fechou durante um atendimento”, revela, expondo o impacto da insônia em sua vida profissional.
Dados alarmantes indicam que quase um terço dos adultos nas capitais brasileiras apresenta sintomas de insônia. O psiquiatra Alexandre Azevedo, do Laboratório do Sono da USP, explica que a insônia se caracteriza pela dificuldade em iniciar o sono, despertares noturnos e a sensação de fadiga durante o dia. O alerta deve ser dado quando esses sintomas ocorrem, no mínimo, três vezes por semana, por um período contínuo de três meses.
Mas o que está por trás desse aumento nas queixas relacionadas ao sono? A resposta pode estar nos hábitos modernos. A exposição constante à luz artificial e às telas eletrônicas desregula o relógio biológico, impedindo que o cérebro se prepare adequadamente para o descanso. No caso de Patrick, a ansiedade em relação à má qualidade do sono contribui ainda mais para o ciclo vicioso de insônia.
Embora muitos busquem a solução rápida dos medicamentos, os especialistas recomendam que o tratamento inicial se concentre em mudanças comportamentais. “A medicação só entra em cena se as medidas comportamentais falharem”, afirma Azevedo. Entre as sugestões estão a manutenção de horários regulares para dormir e acordar, a redução do uso de eletrônicos à noite e a prática de atividades que promovam uma boa higiene do sono.
Para aqueles com insônia persistente, a terapia cognitivo-comportamental é uma abordagem eficaz. A psicóloga Kidsay Souza explica que essa terapia trabalha os pensamentos e comportamentos que dificultam o sono, ajudando os pacientes a desenvolver uma relação mais saudável com a cama e a rotina de descanso.
A insônia não se limita a causar cansaço; suas consequências podem ser devastadoras. Estudos apontam que a falta de sono profundo impede que o cérebro elimine toxinas acumuladas, aumentando o risco de doenças neurológicas e cardiovasculares, como AVC e problemas cardíacos. Para os especialistas, a mensagem é clara: acordar cansado não deve ser considerado normal. Quando a dificuldade para dormir se torna frequente, é crucial buscar ajuda profissional.
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