domingo, 18/10/2026

Cresce a procura de brasileiros por tratamentos de fertilidade no exterior, com custos que podem atingir R$ 1 milhão

Com a crescente busca por alternativas para a formação de famílias, brasileiros estão se aventurando fora do país em busca de tratamentos de reprodução assistida. A fertilização in vitro, a doação de óvulos e…

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Com a crescente busca por alternativas para a formação de famílias, brasileiros estão se aventurando fora do país em busca de tratamentos de reprodução assistida. A fertilização in vitro, a doação de óvulos e a gestação por substituição, comumente chamada de barriga de aluguel, tornaram-se opções viáveis para aqueles que enfrentam barreiras legais ou emocionais no Brasil.

A falta de uma legislação clara sobre gestação por substituição no Brasil leva muitos a optarem por países que oferecem maior segurança jurídica e opções mais flexíveis. Um mineiro de 46 anos, que preferiu se identificar apenas como L.M, exemplifica essa realidade. Ele buscou a Colômbia para realizar o sonho de ser pai, encontrando ali a possibilidade de ter seus filhos com a documentação adequada e o reconhecimento legal de sua paternidade.

A discreta escolha de não expor suas histórias é comum entre os entrevistados, que temem o preconceito e a falta de compreensão sobre suas decisões. Ana Paula Del Padre, da Tammuz Family, ressalta que a privacidade é uma questão de respeito à intimidade de todos os envolvidos, incluindo a gestante e a criança, que um dia poderá querer entender sua própria história.

No Brasil, a regulamentação da gestação por substituição é restrita. As diretrizes existentes limitam as condições sob as quais esse procedimento pode ser realizado, exigindo que a gestante tenha pelo menos um filho e seja parente de um dos futuros pais. Em contraste, países como os Estados Unidos, Colômbia e México apresentam legislações mais abrangentes, permitindo contratos claros e segurança jurídica para os envolvidos.

Os custos associados a esses procedimentos variam significativamente. Nos Estados Unidos, os valores podem ultrapassar os US$ 200 mil, enquanto na Colômbia, o preço médio gira em torno de US$ 80 mil. T.M., de 50 anos, compartilhou sua experiência positiva ao optar pela Colômbia, onde conseguiu não apenas a fertilização, mas também o suporte legal necessário para garantir o reconhecimento de sua parentalidade.

O perfil dos brasileiros que buscam esses tratamentos é diverso, abrangendo casais homoafetivos, mulheres que enfrentam dificuldades de fertilidade e aqueles que decidiram adiar a parentalidade. A faixa etária predominante está entre 35 e 40 anos, refletindo a realidade de muitos que enfrentaram várias tentativas frustradas antes de buscar alternativas no exterior.

P.S.M, de 53 anos, é um exemplo de como a busca por uma solução fora do Brasil pode ser motivada por experiências difíceis. Após tentativas frustradas, ela e o marido decidiram se mudar para a Geórgia, onde aguardam ansiosos o nascimento de seu filho. Embora inicialmente tivessem planejado realizar o procedimento na Argentina, mudanças na legislação os levaram a buscar um novo destino, onde encontraram um ambiente mais propício para realizar seu sonho de maternidade e paternidade.