quinta-feira, 22/10/2026

Nenhum estado brasileiro alcança meta de vacinação contra o sarampo em meio a surtos nos países vizinhos

A preocupação com a vacinação contra o sarampo no Brasil se intensifica à medida que nenhum estado alcança a meta de 95% de imunização entre crianças menores de 2 anos. Com países vizinhos, como…

Compartilhe:

A preocupação com a vacinação contra o sarampo no Brasil se intensifica à medida que nenhum estado alcança a meta de 95% de imunização entre crianças menores de 2 anos. Com países vizinhos, como Peru e Bolívia, enfrentando surtos alarmantes, o Brasil busca manter seu status de país livre da circulação endêmica da doença, conquistado em 2024. O diretor do Departamento Nacional de Imunizações, Eder Gatti, enfatiza a necessidade de reforçar a vigilância e expandir a vacinação na região oeste do Amazonas, onde as fronteiras com o Peru tornam a situação ainda mais crítica.

Embora a cobertura vacinal tenha alcançado índices mais altos desde 2016, está ainda aquém do necessário para garantir a proteção da população. Com menos de 80% das crianças imunizadas com as duas doses da vacina tríplice viral, a situação é alarmante. O sarampo é um dos vírus mais contagiosos conhecidos, e a falta de vacinação cria um ambiente propício para novos surtos, especialmente em áreas com baixa cobertura vacinal.

As estatísticas revelam um quadro preocupante: em 2025, o Brasil registrou 39 casos de sarampo, um número que já ultrapassa 50 em 2026, com a maioria das infecções ocorrendo em São Paulo. Esse cenário contrasta com a realidade de outros países, onde surtos são mais severos. Nos Estados Unidos, por exemplo, a situação é crítica, com mais de 3,6 mil casos registrados em 2026. A governadora de Nova York declarou estado de emergência devido ao avanço da doença, refletindo a necessidade urgente de aumentar a adesão à vacinação.

Os especialistas alertam que a imunização insuficiente gera um acúmulo de indivíduos suscetíveis à infecção, criando condições para que casos importados se transformem em surtos. É fundamental que a sociedade compreenda a importância de atingir e manter a meta de 95% de vacinação, não apenas em termos numéricos, mas com uma distribuição homogênea que evite a formação de bolsões de não vacinados.

Além das questões logísticas e de acesso à vacinação, a desinformação sobre a segurança das vacinas tem contribuído para a redução nas taxas de imunização. Fatores como a pandemia de Covid-19 e o crescimento de movimentos antivacinação também têm um papel significativo nesse retrocesso. É crucial que a população seja educada sobre a gravidade das doenças que podem ser prevenidas pela vacinação e sobre a segurança das vacinas disponíveis.

O sarampo não se limita a ser uma simples erupção cutânea; suas complicações podem ser extremamente graves, levando a pneumonia, otite e até encefalite. A prevenção é, portanto, uma prioridade. O Ministério da Saúde recomenda a vacinação em duas doses durante a infância, e em situações de surto, a ampliação da faixa etária vacinável.

O Brasil precisa urgentemente reverter essa tendência de baixa vacinação. Garantir que cada criança receba as vacinas necessárias é um passo essencial para proteger não só a saúde individual, mas também a saúde pública em geral. O tempo para agir é agora, e a mobilização da sociedade civil, profissionais de saúde e autoridades é fundamental para evitar que o sarampo retorne com força total.